O que é Autoconfiança?

A autoconfiança é um sentimento desenvolvido e aprendido durante a vida de cada um. É muito importante para a vida de todos. Está diretamente relacionada ao sentimento de coragem, capacidade enfrentamento e interesse pelo novo. Proporciona também a emissão de comportamentos bem sucedidos. Situações cotidianas, como ambientes acadêmicos e profissionais, além de atividades desafiadoras e comuns, como aprender a dirigir, viajar, aprender uma nova atividade física, revelam a importância da autoconfiança.

Como desenvolver a autoconfiança?

O brincar para a criança é um excelente meio para o desenvolvimento da autoconfiança.

O sentimento é produzido no ambiente natural, fruto de uma história de reforçamento com consequências naturais ou sociais. O professor Hélio Guilhardi, afirma que a autoconfiança se mantém quando os comportamentos da própria pessoa produzem consequências reforçadoras positivas ou evitam consequências aversivas. Como exemplo, tem-se a criança que está brincando sozinha com os blocos de encaixar e consegue encaixar os blocos um no outro. A ação de encaixar é reforçada positivamente pela consequência do novo objeto que se forma. Outro exemplo poderia ser de uma criança, diante de uma piscina de bolinhas, mesmo com medo do novo, pula para a piscina. O comportamento de pular é reforçado pela sensação prazerosa de estar entre as bolinhas.

Quais situações eu posso estimular a autoconfiança em uma criança?

Ainda que a autoconfiança seja desenvolvida apenas a partir de consequências naturais do comportamento, o ambiente social pode proporcionar situações para que a pessoa possa emitir essas ações e seja reforçado por elas. Nesse quesito, os pais e cuidadores, como os primeiros que mantém contato com a criança, devem criar condições para que estes emitam comportamentos que sejam consequenciados, ao invés de fazer ações pelos próprios filhos. Ao sair com seu filho, permita que ele faça o pedido em um restaurante, padaria ou alguma loja do seu interesse. Deixe que ele se exponha, ao modo dele e conquiste o item desejado. É uma ação aparentemente simples, mas faz parte do processo da separação de dependência mãe e criança.

As escolas também tem um papel fundamental nesse processo, ao estimular as crianças e adolescentes a realizarem novas atividades e superarem desafios. Logo no jardim de infância, podemos ter uma série de ações que estimulam a independência e autoconfiança. Nas salas de aulas, como as novas tarefas de cortar, colar, pintar, desenhar, escrever. Como também, nos momentos de recreações, como descer em um novo escorregador, escalar algum brinquedo, jogar bola, são bons exemplos de situações que proporcionam comportamentos com consequências reforçadoras.

Reconhecendo as limitações

No entanto, é fundamental lembrar que as atividades propostas devem condizer com as habilidades de cada criança, de acordo com a sua faixa etária. O ambiente precisa estar adequado para que a criança possa emitir o comportamento. Caso contrário, elas ficarão frustradas e se sentirão incapazes de realizar a tarefa e ainda podem arriscar a segurança dos seus filhos. Os responsáveis devem prestar atenção na dificuldade do exercício proposto e adequar para cada criança. A ajuda física pode vir, se preciso for, para que ela desenvolva a tarefa com segurança.

Quando se fala em autoconfiança, remete-se a pessoas seguras, confiantes e com iniciativa, que resolvem problemas e se arriscam em novas situações. Elas sabem quais comportamentos devem emitir para atingir o que querem em determinada situação. Essas características são grandes diferenciais no ambiente de trabalho e na vida acadêmica das pessoas. As pessoas que se expõem, aumentam as chances de sucesso e reconhecimento. Elas muitas vezes são vistas como resolutivas e pró-ativas, são persistentes e buscam sempre evoluir, pois acreditam que são capazes.

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Autoconfiança e Autoestima

Ambos são sentimentos que são produzidos concomitantemente no ambiente e se inter-relacionam, sendo separados apenas para fins didáticos. As consequências que produzem sentimento de autoestima são reforçadoras positivas, voltadas para a pessoa em si. As consequências que produzem a autoconfiança podem ser positivas e negativas, sempre voltadas para os comportamentos. Dessa forma, a autoestima se associa necessariamente a bem estar e satisfação, enquanto a autoconfiança também pode se associar a medo, ansiedade, alívio.

Ainda que sejam produzidos simultaneamente, podem existir pessoas que tem baixos sentimentos de autoestima e são mais autoconfiantes. Isso acontece porque há ambientes em que são escassos as situações reforçadoras positivas e o reconhecimento vindo dos outros, mas ainda assim a criança emite comportamentos e é reforçada naturalmente, sem precisar do outro. Dessa forma, ela aprende a tomar iniciativas, a resolver problemas e torna-se independente, desenvolvendo sentimentos de segurança, coragem, satisfação.

A criança que não teve oportunidades de emitir diferentes comportamentos, fica com pouco acesso a reforços positivos das suas próprias ações e não aprende uma série de comportamentos. Elas apresentam déficits de comportamentos verbais e motores. Elas também não sabem, muitas vezes, como tomar iniciativas e resolver problemas. É comum vê-las desistir facilmente, tornar-se dependente dos outros. Elas podem desenvolver sentimentos de medo, ansiedade, insegurança, fobias, transtornos ansiosos, entre outros. Por isso, a autoconfiança e autoestima são sentimentos com significativa importância na vida das pessoas. Essas características, se não desenvolvidas, geram consequências que podem ser levadas para o resto da vida, transformando-se em patologias.

Como a Psicoterapia pode te ajudar a desenvolver autoconfiança?

autoconfiançaA psicóloga irá analisar com você, questões da sua vida. É preciso saber como você enxerga o mundo. Assim, ela irá te auxiliar a enfrentar novas situações e desafios. Através dos seus relatos e comportamentos, vocês discutirão quais os comportamentos você quer desenvolver. Um por um, de acordo com as suas habilidades e possibilidades em cada fase.

Veja também: 10 dicas para desenvolver a autoconfiança.

FONTE: Guilhardi, H. J. Autoestima, autoconfiança e responsabilidade. Instituto de Análise do Comportamento e Instituto de Terapia por Contingências de Reforçamento. (Sem data).

Imagens: Pinterest

Escrito por Psicóloga Camila Reis (CRP 06/112110) em 16/05/2016.